
Gostava de escrever, gostava de escrever a sério, de desenhar a sério, de criar a sério, parece que tudo o que faço fica por metade e é apenas metade! Que importa isso, se estou numa longa caminhada que apenas tem de me dar imenso prazer?
Os carros que passam, o cheiro forte que eles me deixam para trás, as luzes confusas que me dizem que estou num mundo cruel onde a beleza se perde... Sou só um número, mas um número forte e consciente de que pode sonhar!
Digo adeus ao ontem sem reparar, separo-me radicalmente das minhas antiguidades pessoais de uma maneira tão subtil. Agora que reflito, e que resto eu, sempre eu, há um vazio, o vazio da mudança, da dúvida e do desconhecido. Hoje que é hoje, mesmo hoje, não tenho medo, nem insegurança perante o que não sei!